Avanço da dengue tipo 2 adia início de aulas no interior de São Paulo

O avanço de casos prováveis de dengue do sorotipo 2 no estado de São Paulo levou um município paulista a adiar em duas semanas o início das aulas e colocou em alerta hospitais privados. Em São Joaquim da Barra (interior de São Paulo), o início do ano letivo foi transferido da próxima segunda (4) para o dia 18.
Em uma semana, o município registrou três mortes de pessoas com sintomas da dengue grave: uma menina de 9 anos, no dia 21, uma idosa de 79, no dia 28, e um comerciante de 62, no dia 28. Mas os exames para a confirmação do sorotipo 2 do vírus ainda não ficaram prontos.
Há 104 casos confirmados da doença e outros 158 suspeitos. Na semana passada, o município decretou estado de calamidade pública em razão da epidemia de dengue, o que permite à prefeitura a contratação de serviços emergenciais para enfrentar a doença.
A partir desta sexta (1º), pacientes com sintomas de dengue terão atendimento prioritário e diferenciado em todas as unidades de saúde, segundo o diretor do departamento municipal de saúde, Rangel Luis de Melo. Uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) foi transformada em ponto de referência para tratamento da doença.
Nesta quinta (31), a Fehoesp (Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do estado de São Paulo) emitiu um comunicado alertando os mais de 430 hospitais privados, 70 serviços de urgência e emergência e cerca de 9.000 clínicas médicas de todo o estado para os sintomas do sorotipo 2 da dengue.
O objetivo é o de fazer com que os serviços sejam mais criteriosos antes de liberar o paciente. Na infecção pelo vírus da dengue tipo 1, a orientação, quando o paciente está relativamente bem, é de repouso e ingestão de muita água.
“Agora, a liberação do paciente precisa ser mais cuidadosa. Os serviços de saúde só podem liberá-lo tendo convicção de que ele não está com o vírus tipo 2. Para isso, o melhor é ficar mais tempo com o paciente no hospital para verificar a evolução do caso”, alerta o médico Yussif Ali Mere Jr, presidente da Fehoesp.
O vírus tipo 2 da dengue foi detectado em 19 cidades, dos 645 municípios paulistas, e colocou o estado em alerta. Desde 2016, apenas o sorotipo 1 da dengue circulava em São Paulo. O sorotipo 2 foi detectado em Andradina, Araraquara, Barretos, Bauru, Bebedouro, Catanduva, Espírito Santo do Pinhal, Indiaporã, Ipiguá, Itajobi, Mirassol, Pereira Barreto, Piracicaba, Pirangi, Ribeirão Preto, Santo Antônio de Posse, São José do Rio Preto, Uchoa e Vista Alegre do Alto.
O risco da dengue tipo 2 está relacionado à superposição de vírus. “Quando circula um novo sorotipo do vírus, no caso o 2, pode ter uma evolução para maior gravidade para quem já teve dengue 1”, diz Ali Mere Jr.
Pessoas infectadas por sorotipos diferentes em um período de seis meses a três anos podem ter uma evolução para formas mais graves da doença.
Após dois anos em queda, o número de casos prováveis de dengue voltou a crescer no país em 2018, apontam dados divulgados pelo Ministério da Saúde nesta segunda-feira (28).
Balanço feito pela equipe técnica da pasta mostra que, em todo o ano passado, foram registrados 266 mil casos prováveis da doença. Já em 2017, foram 239 mil notificações, o que equivale a um aumento de 11%.

Postagem original. Data original: 31 JAN 2019.

Artigo AnteriorPróximo Artigo

Entrar






Cadastre-se
Esqueceu sua senha?

Cadastre-se








Pergunta do Dia:

Quem deve tomar vacina?