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Cavernas em SP reforçaram a segurança e até fecharam após morte de turistas

O Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar), no interior de São Paulo, abriga 474 cavernas na maior porção de Mata Atlântica preservada do Brasil, o que atrai milhares de turistas anualmente. O recente resgate de 12 meninos e um técnico de futebol que ficaram presos em uma caverna na Tailândia trouxe à tona a questão da segurança dentro desses locais. No Petar, dois acidentes terminaram com três mortes, provocaram o fechamento das atrações e adoção de novas medidas de prevenção. Hoje, apenas 12 cavernas, com novos modelos de segurança, estão abertas à visitação.

O parque, localizado entre as cidades de Apiaí e Iporanga, no interior de São Paulo, é o segundo maior do Brasil em concentração de cavernas e considerado um patrimônio da humanidade, reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). O Petar é composto por cachoeiras, trilhas, comunidades locais e sítios arqueológicos, um verdadeiro paraíso escondido entre vales e montanhas. Porém, o que mais atrai os turistas é o conjunto de cavernas. De acordo com o último levantamento realizado pelo Petar, em 2010, o parque possui 474 cavernas e recebe cerca de 42 mil visitantes por ano. Geralmente, os turistas conhecem mais de uma caverna, sendo assim, o Petar estima que mais de 70 mil passeios sejam realizados anualmente.

Atualmente, somente 12 cavernas do Petar estão abertas à visitação: Santana, Morro Preto, Água Suja, Alambari de Baixo, Temimina, Couto, Cafezal, Ouro Grosso, Gruta do Chapéu, Gruta das Aranhas, Gruta do Chapéu Mirim I e Gruta do Chapéu Mirim II. No parque, está a caverna com o maior pórtico do mundo, a Casa de Pedra, e também a caverna de Santana, a maior do Estado de São Paulo, com mais de 8 km de extensão e alguns salões com espeleotemas considerados ‘divinos’ por muitos visitantes.

A visitação a cavernas sempre proporcionou uma experiência única aos visitantes. Porém, dois graves acidentes, que terminaram na morte de turistas, marcaram a história do Petar. Eles provocaram uma mudança no controle de visitantes e na gestão do parque. Em 2003, um grupo com cinco turistas e um guia foi atingido por uma tromba d’água, dentro da caverna Casa de Pedra. “Na época não havia Corpo de Bombeiros em Apiaí. O mais próximo ficava a quatro horas do local. Pelos relatos, choveu na cabeceira do rio e acabou represando a água. Quando os turistas estavam descendo na caverna, a represa rompeu e desceu uma tromba d’agua, que pegou as pessoas”, explica Marcio de Lima Renó, capitão do Corpo de Bombeiros de Itapeva, responsável pela área da ocorrência. Um turista e o guia, que estavam a cerca de 50 metros da saída da caverna, ficaram mais distantes do resto do grupo e morreram afogados. Os outros turistas também foram atingidos pela água, mas como estavam em outra parte da caverna, conseguiram sair vivos. Após o episódio, o local foi fechado para visitação e a entrada permanece proibida até hoje.

Já em 2005, uma turista morreu após praticar rapel dentro da caverna Água Suja. “Deu algum problema no cabo de segurança, e ela caiu de uma altura de 10 metros. Ela foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros, mas faleceu no hospital, 30 dias depois”, explicou o capitão. Após o acidente, foi proibida a prática de rapel no Petar. Hoje, já é possível realizar esportes radicais nas cavernas, mas somente com autorização da gestão do parque. “Temos a possibilidade de autorizar, mas a questão depende do sistema de segurança a ser implantado”, afirma o atual gestor do Petar, Rodrigo Aguiar.

Os acidentes serviram de alerta para a administração do parque, que passou a adotar modelos de segurança rigorosos. A partir de 2008, com o início da elaboração dos planos de manejo espeleológicos, a entrada em todas as cavernas e na grande maioria dos atrativos do Petar só é autorizada na companhia de um monitor ambiental local cadastrado. As cavernas e demais atrações possuem limite de pessoas por dia. Há o monitoramento dos horários de entrada e saída, além de monitoramento climático, que pode provocar o fechamento de algumas cavernas.

“Foi realizado um estudo, que apontou a necessidade de monitoramento climático em tempo real da caverna Casa de Pedra, por conta das cheias. Enquanto a Fundação Florestal não colocar esses equipamentos específicos para monitorar a caverna, ela não será liberada. Além disso, no estudo, foi verificado que é preciso outras medidas de segurança, como a presença de um guia e um horário específico para a visitação”, explica o gestor.

Além da Casa de Pedra, outras cavernas do Petar têm restrições por conta da possibilidade de cheia dos rios que cortam esses pontos turísticos, como, por exemplo, as cavernas de Santana, Água Suja e Alambari de Baixo. Entre dezembro de 2017 e janeiro de 2018, as cavernas foram fechadas à visitação por cinco dias por causa da chuva e das cheias. “Todas as cavernas que tinham possibilidade de ter cheias foram fechadas. Se está chovendo, começamos a fazer o monitoramento, o funcionário vai avaliando. Se conseguimos perceber que está enchendo demais, fechamos para a visitação”, explica.

Como apenas 12 das 474 cavernas estão abertas à visitação, dezenas de outras ficam restritas aos funcionários do parque. Segundo a gestão do Petar, essas ‘cavernas fechadas’ são ambientes naturais muito sensíveis aos impactos humanos, com grande risco de acidentes e difícil acesso aos visitantes. “A grande maioria não é conhecida do público e nem todo mundo consegue acessá-la. A equipe do parque monitora isso, e o setor de turismo das prefeituras também, para evitar acidentes. Nos feriados, intensificamos com equipes de fiscalização”, afirma Aguiar.

O principal risco nas cavernas continua sendo a incidência de fortes chuvas e consequentes cheias dos rios. Mas, segundo o gestor, hoje o parque está preparado para lidar com isso e evitar acidentes. “As cavernas têm um plano de contingência. Se algum grupo for surpreendido por uma cheia repentina, que não tinha sido prevista, há pontos onde o guia pode colocar os turistas, dentro da própria caverna”, conta. Desde 2008, somente acidentes de pequena gravidade foram registrados no Petar, como torções e pequenas fraturas, ocasionados por quedas simples, fato também confirmado pelo Corpo de Bombeiros.

Além do risco de acidentes, as áreas são ambientes frágeis, com baixa resiliência e presença de espécies raras e endêmicas. Qualquer tipo de intervenção humana pode provocar danos, tanto no aspecto geológico como biológico.

Segundo a gestão do Petar, as cavernas do Petar abertas à visitação não têm perfil topográfico e desenvolvimento semelhantes às da Tailândia. Por isso, a possibilidade de algum turista sofrer um acidente ou ficar preso por conta das cheias é muito remota. “O que é passível de ocorrer é algum acidente com grupos de espeleólogos, profissionais que trabalham prospectando, mapeando e topografando cavernas. São pessoas altamente capacitadas, que realizam planejamento para qualquer atividade em caverna, contudo, por se tratar de uma atividade em ambiente natural, pode ocorrer, mesmo com todo planejamento prévio”, disse.

O parque tem promovido diversos cursos de primeiros socorros para os monitores ambientais, além de treinamentos especializados para resgate em cavernas, que ocorrem em parceria com a Fundação Florestal, da Federação Francesa de Espeleologia e Espeleo Socorro Francês, que atua desde 1990 em resgates e treinamento de resgate em cavernas na França. Segundo o gestor, a visitação às cavernas do Petar é uma atividade educativa e enriquecedora, mas a segurança dos visitantes e a preservação da biodiversidade estão em primeiro lugar. “A caverna de Santana é a mais visitada, com 1h40 de duração do passeio. Se um grupo passa do horário, um funcionário do parque vai saber o que aconteceu, fazemos esse controle e acompanhamos. Eles têm treinamento de primeiros socorros e estão preparados”, finaliza o gestor.

Postagem original. Data: 11-07-2018

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