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Christiane Torloni fala sobre viver Callas, sua volta a TV e a busca por equilíbrio

Protagonista aos 61 anos, Christiane Torloni interpreta, de maneira ímpar, a cantora Maria Callas no espetáculo Master Class. Nos palcos, ela é que dá uma aula de mestre de teatro. Durante a passagem da peça por Santos, no litoral de São Paulo, a atriz conversou com o G1 sobre os desafios profissionais para esse ano e como se mantém tão bem na vida profissional e pessoal.

Em Master Class, Torloni canta, dança e atua de forma brilhante como Maria Callas. Escrita pelo premiado autor norte-americano Terrence MacNally, a comédia dramática é baseada no enredo das lendárias aulas magnas ministradas pela soprano, no início dos anos 70, na Julliard School of Music, em Nova York. Na peça, Callas repreende os alunos da mesma maneira enérgica com que os encoraja. Torloni diz que aprendeu muito com a personagem e falou como é a responsabilidade dela interpretar uma mulher tão forte e polêmica como a soprano grega. Na ‘vida real’, Torloni enfrenta uma correria intensa. Ela vive uma maratona de compromissos em todas as áreas e revelou que procura o equilíbrio na ioga, na meditação e na alimentação saudável para conseguir lidar com tantos trabalhos e exigências na vida profissional. Na carreira, além do teatro, já foi confirmada para ser uma vilã em “Verão 90 Graus”, novela das 19h que irá substituir “Deus Salve o Rei”.

A atriz ainda encara mais um desafio na carreira: se lançar como diretora. Ainda neste ano, ela pretende finalizar o documentário “Amazônia, da Cidadania à Florestania — Um Despertar” e preparar a estreia em 2019. G1: Como foi a preparação para a peça Master Class?Christiane Torloni: Você se prepara para um trabalho a sua vida inteira. Você é o conjunto de todos os trabalhos que já fez e acrescenta. Como formação de atriz, a gente costuma fazer aula de canto, aula de dança, aula de artes marciais, enfim, seja o que for. Para que, quando os trabalhos cheguem, você já ter, de alguma maneira, passado por aquela informação. Dificilmente, nessa altura do campeonato, eu vá transitar numa preparação que eu nunca tenha tido nenhum contato com aquilo, pela força do tamanho da carreira. Já são 43 anos. Meus pais são da arte. Eu tive a oportunidade de ter uma educação musical muito boa. Eu tenho uma coleção de vinil dela (Callas), por exemplo. Eu nunca pensei, a nessa altura do campeonato, que eu pudesse reouvir, nos novos equipamentos, a minha coleção da Callas. Então, ela (Callas) veio falando comigo há muito tempo. G1: Você já tem o histórico de interpretar mulheres fortes, marcantes. Como está sendo interpretar a Callas?Christiane Torloni: Quando você faz um personagem histórico, você tem outra responsabilidade. Quando é um personagem de ficção, você pode criar do jeito que você quiser, interpretar do jeito que você quiser. Quando você vai fazer uma Joana D´’Arc, por exemplo, mesmo que tenha sido no século XII, tem tantos registros que você tem um respeito até metafísico porque essa criatura realmente existiu. Tem 40 anos da morte da Callas. É impressionante o público que ela leva para o teatro. Tem amantes da Callas, pessoas que choram, pessoas que acompanham, pessoas que sabem as áreas que são tocadas no espetáculo. É muito bonito. Eu sempre entendo que quando alguém de verdade chega à minha vida é porque ela veio para me ensinar alguma coisa, não só no palco. O texto do espetáculo parece uma cartilha de conduta existencial, moral. O Jessé Scarpellini, que é um dos tenores, fala que é uma aula de vida, uma aula de teatro. É uma Master Class mesmo. G1: Você acredita que o espetáculo seja voltado para um público específico?Christiane Torloni: Tem uma coisa que é superinteressante, que foi produzido para esse espetáculo, que é um pequeno documentário de seis minutos antes. Quando dá o terceiro sinal, tem um pequeno documentário que conta, basicamente, a história da vida dela e daqueles personagens que, durante o espetáculo, o público vai ouvir falar. Quando começa o espetáculo, todo mundo sabe a mesma coisa. G1: E como você faz pra mudar de um personagem para o outro?Christiane Torloni: A gente não se prepara para os amores que chegam à nossa vida, por isso que eles são surpreendentes. De alguma maneira, a gente vai vivendo e, de repente, quando a gente vê, alguém entrou na nossa vida. O conjunto de todos os amores anteriores faz com que você receba um novo amor na sua vida. Em um momento, você está com ele e, em algum momento, você também vai se despedir dele. Um personagem é alguém que você vai viver, conviver, aprender e em algum momento se despedir dele fisicamente. Mas, como um grande amor, ele fica guardado em uma memória emocional, assim como os outros personagens que já passaram por essa longa jornada. Eles fisicamente não estão mais comigo, mas deixaram marcas no meu corpo e, principalmente, na minha alma. G1: E a Maria Callas te marcou de alguma forma, te ensinou alguma coisa? Christiane Torloni: Ela (Callas) está me ensinando muitas coisas. Como o Chico Xavier dizia, eu sou só um carteiro, eu entrego as mensagens. Eu gosto muito dessa imagem que você é uma ferramenta para que chegue alguma coisa à outra pessoa. A Callas está entregando mensagens e só nós sabemos o que estamos perguntando secretamente. E eu vejo as pessoas dizendo que saíram daqui (teatro) com uma motivação. É um espetáculo que fala de superação. A vida é uma prova de obstáculos interessantíssima. G1: Aos 61 anos, como você faz para cuidar do corpo e da mente?Christiane Torloni: Eu tenho boas heranças. Eu entrei na meditação transcendental por volta dos 16 anos. Minha mãe achava que eu era pilhada. Graças a Deus, tanto a ioga quanto a meditação, estão muito mais acessível. Em cada quarteirão, tem uma ou duas escolas de ioga, meditação, de vários tipos. Eu acho essencial usar a meditação como uma ferramenta de equilíbrio. Nas empresas está sendo aplicada, nas escolas. É uma ferramenta de apoio, de autoconhecimento, de concentração. Quando você está com a sua mente equilibrada, normalmente, você é mais delicada com o seu corpo. Tem também uma questão da gente se conectar com as coisas que são do Brasil, alimentos brasileiros, que estão aqui e fazem parte do nosso DNA. Não sou vegana. Como uma picanha feliz da minha vida. Não posso parar de comer carne porque já aconteceu isso e fiquei muito mal. Mas tem pessoas que conseguem ter uma vida equilibrada. E como você descobre qual o seu equilíbrio? Só se você fica com você mesma. Como um exercício, as pessoas deveriam olhar a sua vida quanto que elas ficam com elas, a meditação diz isso. Se você puder ter um encontro com você, duas vezes por dia, pelo menos uns 10 ou 15 minutos, você vai encontrar uma pessoa incrível dentro de você. G1: Quais os planos para esse ano? Você está se preparando para uma nova novela?Christiane Torloni: O “Rio 90 Graus” está em pausa, neste momento. A gente ia começar a gravar em maio, mas a novela foi adiada, em alguns meses. É uma novela bem simpática, uma novela que é dos anos 80/90. É uma novela que fala muito do surgimento dos videoclipes. É bem interessante. O outro projeto que eu estou me dedicando, já há uns 4 a 5 anos, é o ‘Amazônia, o despertar da Florestânia’, que é documentário que eu estou finalizando agora para fazer algumas ações em 2018 e lançando em 2019.

Postagem original. Data original: 01/03/2018 09h35.

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