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Estado do Pará prende ativistas pelos direitos humanos

Sem ouvir o Ministério Público e baseada em depoimentos de fazendeiros, uma juíza do Pará decretou nesta semana a prisão do padre José Amaro Lopes de Sousa. A prisão do religioso foi interpretada como uma forma de aparelhamento do Judiciário por parte de ruralistas e ­latifundiários, uma tentativa de intimidar a ação de defensores dos direitos humanos e lideranças dos trabalhadores rurais no Estado.
A prisão seria uma forma de ­desmoralizar as lideranças que lutam ao lado dos pequenos produtores rurais, ribeirinhos, sem-terra e descendentes de ­escravos.
Este é mais um episódio no embate entre boias-frias e fazendeiros do Pará, estado que foi o palco do massacre de 19 trabalhadores sem-terra em Eldorado do Carajás, assinados por policiais militares em 1999.
O Pará também protagonizou o assassinato da religiosa norte-americana Dorothy Stang, em 2005, morta por defender agricultores de subsistência contra os interesses dos grandes fazendeiros. Em 2017, aconteceu no município de Pau d´Arco, também no Pará, a maior chacina de boias-frias em todo o mundo, com o assassinato de dez trabalhadores rurais por policiais militares.
Desde 2001 o Centro de Documentação Dom Tomás Balduíno, da Comissão Pastoral da Terra, vinculada à Igreja Católica, registra ameaças de morte contra o padre Amaro, que se sucederam diversas vezes nos anos seguintes. Por ironia, o inquérito policial que culminou na prisão de Amaro o acusa de incitar homicídios.
Até o fechamento desta edição, o religioso permanecia sob custódia no município de Altamira, no mesmo presídio onde estão os condenados pelo assassinato de Dorothy Stang.

Postagem original. Data original: 01-04-2018

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