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Já faltam alimentos em feiras e mercados da região

Donos de restaurantes mudam cardápio e voltam-se para produtores orgânicos da região para garantir suprimento

Além das filas nos postos de combustíveis, a população já começou a sentir os efeitos da paralisação dos caminhões quando sai à procura de comida. Nas feiras livres, muitos produtos já estão mais caros e os comerciantes não garantem que frutas, legumes e verduras estejam à disposição nos próximos dias. Entre as mercadorias que têm assustado os consumidores estão a batata, cebola, mamão e melancia. O feirante Celso Basílio da Silva diz que pagou ontem R$ 30,00 a mais no saco de batata nos distribuidores. “E o pior é que nem sabemos se vai ter produto para comprarmos amanhã (hoje)”, diz.

“Já avisaram para a gente que vai faltar mercadoria. Então, hoje eu comprei tudo duplicado para garantir a feira desta sexta. Mas não sei se trabalharemos no sábado”, conta a feirante Carmem Zulmira Santana.

O cerealista Amandio da Cruz, que traz os produtos de São Paulo e distribui para feirantes, mercados e restaurantes da região, afirma que na madrugada de quinta já encontrou os hortifrútis três vezes mais caros do que no dia anterior. E a situação pode piorar. Amandi relata que, na madrugada, um de seus caminhões foi danificado por manifestantes, em Cubatão, quando retornava de São Paulo. “Só quebraram um para-brisa, mas não vou arriscar subir novamente para buscar mercadoria. Sou a favor da manifestação deles, que é justa, e sei que foi coisa de poucos vândalos que estão no meio”, diz o cerealista.

Na manhã desta sexta-feira (25), a Reportagem esteve na feira livre montada na Rua Campo Grande, na Encruzilhada, e encontrou muitas barracas vazias. Alguns feirantes relataram que se a situação não se normalizar, vai ser inviável armar as barracas a partir de domingo. Alguns, só têm mercadorias suficientes para continuar atendendo até este sábado. Em razão da escassez de mercadoria, alguns itens também tiveram seus preços elevados.

Mercados

Os mercados também já começam a dar sinais de desabastecimento, de acordo com a Associação Paulista de Supermercados (APAS). As frutas, verduras e legumes já estão sumindo das prateleiras e o problema pode chegar a carnes, leite e derivados e produtos industrializados que levam proteína na composição, pois o processo de fabricação já está comprometido pelo atraso na entrega. Alguns supermercados já começaram adotar medidas para que não faltem produtos, limitando a quantidade que pode ser levada pelo consumidor. É o caso do Carrefour. Por nota, a empresa informa que “o abastecimento segue sem muitos problemas em suas lojas”.

Agricultura regional

A saída para alguns donos de restaurantes tem sido buscar os alimentos na própria região. A agricultora familiar Kátia Akemi Unten possui uma horta de produtos orgânicos próxima ao Rabo do Dragão, em Guarujá, e diz que a procura cresceu nos últimos dias. Isso, porém, não significa tranquilidade. “Minha preocupação é se eles vão conseguir trabalhar sem os produtos que são de fora e que não tenho. Se os restaurantes não funcionam, acabo parando também”.

Adepto dos produtos locais, o chef e proprietário do Madê Cozinha Autoral, Dário Costa, é cliente de Kátia desde o ano passado. Ele afirma ter preferência pelos ingredientes da região, mas usa produtos da Ceagesp também. “Com o que está acontecendo, tive de tomar essa atitude meio radical de abdicar dos produtos comerciais e estou reformulando o cardápio apenas com pratos que conseguimos produzir com ingredientes orgânicos daqui”. Essas mudanças no cardápio não são novidades no Madê. Costa diz que o restaurante tem o costume de modificar os pratos toda semana. Com isso, evita ficar refém de um ingrediente. “Uma caixa de 20kg de tomate, por exemplo, custa geralmente R$ 20,00. Essa semana está R$ 140,00. Estamos vendo um cardápio sem tomate”. O chef apóia a produção e o comércio locais. “Nós deveríamos usar os ingredientes da nossa terra. Existem alguns poréns, como precisar ir buscar e ser um pouco mais caro, mas tem muito mais qualidade. Os pequenos produtores têm porte para abastecer a região sem precisar de agrotóxicos”.

Postagem original Data: 25-05-2018

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